sábado, 31 de dezembro de 2011

Resoluções de Ano Novo

Esse é um post-clichê de qualquer blog pessoal: falar das resoluções de Ano Novo é bom porque:

1. Você tem o que escrever sobre um assunto fácil, ajudando a cumprir a resolução do ano velho de um post por dia (rarara).

2. Você pode, a partir de 3 de janeiro, assumir que deu uma fumadinha, uma só e, depois de 7 de janeiro, começar a lamentar que deu uma escorregada no bacon. Para registrar que não procurou uma academia, é bom esperar fevereiro ao menos (culpe os preços do verão). São mais quatro ou cinco posts.

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Pois bem, depois dessa emocionante introdução, vamos ao que interessa.

Em 2012 eu vou: parar de fumar, postar três vezes por semana, entrar na academia e ler mais e jogar mais videogame. Quase não beberei destilados e prometo para minha namorada ser mais moderado ao beber os vinhos dela.

Podem me cobrar.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Ateísmo e bule

Eu parei de acreditar no Papai Noel mais ou menos na mesma época que percebi que Deus não existe. Claro que foi um processo: aos seis anos, você ainda torce muito para que ele exista. Aos sete, tem vergonha de questionar a educação católica (eca) que recebe. Depois vem aquela fase acredito em uma força maior, acho que existe uma energia e blábláblás desse tipo.
Para o mundo, uma criança de 10 anos não acreditar em deus é ainda pior do que uma que crê em Papai Noel. Para mim, deus era (é) um Papai Noel de adultos, com a diferença que nunca traz presentes e só cobra que você seja um bom menino.
Sofri mais bule por conta disso do que pelas minhas orelhas de abano ou minha altura (ou falta de). Não fazem piada: as pessoas se afastam, olham com nojo, julgam sua moral, ética e conduta. Até os padres e freiras, veja só que cara de pau, tem coragem de criticar sua conduta!
Essas lembranças vieram no ritmo dos posts do facebook: picadinhas, motivadas por piadas de ateístas e a militância anti-crença de um irmão médico.
Nas redes sociais, eu não falo que sou ateu: as pessoas se chocam e, na maior parte das vezes, os comentários solidários me irritam. Pelamor, se você acredita em energia, força superior, tudo que vai volta ou qualquer coisa do tipo, você não é ateu; só não é católico.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Caminhos do Google

São estranhos os caminhos do Google. Dentre o público que frequenta este espaço virtual (2,25 pessoas/dia), praticamente metade chega aqui procurando por blogs de enólogos.

Enologia. ENOLOGIA. A chance de você encontrar um comentário frutado com fundo de madeira por aqui é tão grande, quanto, sei lá, ouvir Ray Conniff em um táxi carioca.

A outra metade da audiência é compreensível. Chegam aqui por causa da foto da ubergatinha que virou a cabeça do Scott Pilgrim, Ramona Flowers.


Ramona e Scott amor eterno amor verdadeiro

Porque, fala sério, esse é um espaço de bom gosto.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Não curti meu passado

Você sabe o que você fiz no verão passado.

Tá, tudo bem. Eu já era crescidinho --ok, adulto-- e, condenado a ser livre, mais ou menos era senhor das feituras.

Mas graças às redes muito sociais da internet, eis que me deparo com gente que sabe o que eu fiz no milênio passado, na década de 1980 (pogobol, Xuxa, Jaspion, Comandos em Ação para te refrescar a memória), tudo muito chato, um pouco infantil pro meu gosto.

Mas eles fazem questão de lembrar e, pelo jeito, não querem lembrar sozinho: cutucam, curtem e tem a coragem de me chamar no chat do feice assim: "eai kra tdo bem comvc?".

Não, não está tudo bem. Apesar de lembrar palidamente de você, por favor, me evite: sou um kra chato pra caramba, falar do nosso passado em comum não me interessa (por acaso você ficou com meu sexto LP da Xuxa? sim, fui eu que quebrei a perna do seu boneco do Mentor, não foi o vento) e só vou te trazer desgosto se contar para onde os muito loucos caminhos da vida me levaram. Sabia que eu nunca mais assisti ao Bozo?

Pior: posso revelar segredos vão te tirar o chão. Imagina só se eu respondo no chat: kra, não foi a Clarice Lispector que escreveu "não trate como prioridade quem te trata como opção". Quanta decepção né?

Vamos combinar: o feicebook não existe para reunir velhos mais ou menos amigos da primeira infância. No máximo, ver as fotos para constatar: po, ele não cresceu quase nada, mas engordou. E tá com barba rs.

ABS MLK

sábado, 17 de setembro de 2011

Campari e internet

Até o surgimento do Twitter e do Facebook (2009 e 2011, no meu calendário), achava que o mix de mau humor, sarcasmo e gosto por Campari compunham as excentricidades que delineavam meu eu-único. Por outro lado, ser contra a corrupção, não gostar de Casseta e Planeta  e amar dormir de meia no inverno me tornavam um homo sapiens genérico. Essa malemolente mistura de excentricidades e clichês fazia de mim um cara que podia surpreeender eventualmente, mas confiável a maior parte do tempo. Nem invisível, nem um ogro.

Aí veio o Twitter. Meu mundo caiu. Descobri que mais que a maioria (67,8%) da população internética brasileira pode sacar a qualquer segundo um tuíte inteiro (140 caracteres) com uma piada que mistura mau humor e sarcasmo. Nem sempre os temas são bem escolhidos (ALERTA: use com moderação piadas sobre mortos ilustres, analfabetismo, tragédias, seu chefe e maldita inclusão digital) mas o sarcasmo está lá, o mau humor está lá, fazendo de mim um tuíte na multidão.

Tentei me consolar com muito Campari e migrando pro Facebook, só que outro dia apareceu na rede social a campanha Eu gosto de Campari e eu descobri que mais de cem mil brasileiros curtiam.

Pisoteou meus sentimentos, me misturou à massa que nem um chiclete no asfalto da Avenida Paulista durante a Parada Gay. Pior: descobri que o Campari não era uma bebida deficitária financiada por um bilionário maluco para satisfazer pessoas soturnas e misteriosas, verdadeiros vampirões, mas tinha milhares de alegres consumidores dispostos a dar um joinha no face de graça.

Twitter e Facebook não são pra mim.

Por isso voltei a ter um blog com regras: aqui, só eu falo bem de Campari e mal de morto. Não quero orkutização dos comentários.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Sexta

Os não fumantes podem entender como é uma crise de abstinência.

Pensa naquela sexta-feira que não acaba no trabalho: ainda falta cinco horas para ir embora, um abacaxi cascudo atrás do outro acaricia seu rabo e você fica com aquele sentimento de angústia esperando que a labuta acabe para que você possa pegar o fim do aniversário no bar onde estavam todos seus amigos antes de você chegar.

Essa expectativa, essa vontade do futuro, é um pedacinho da crise.

Mas tem também a irritação: coloque, nesse ambiente meio Godot, aquele colega que está fazendo braço curto e, ainda por cima, está com um megafone imaginário, chamando atenção para assuntos relevantes como a injustiça no Miss Universo, como odeia o Sarney ou cosplay. Ele é o narrador da crise.

E, se você fumar há mais de dez anos, saiba: esse fim de semana é de plantão.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

São Paulo 24h?

Dizem que São Paulo não dorme. Claro, claro, se você for um frequentador de bocas de crack ou consumidor de cocaína, ter o que fazer nunca vai ser um problema.

Mas... experimente sair do trabalho todos os dias no meio da madrugada e decidir comer um mísero temaki ou tomar um chopp honesto (não vale na República -sou rico- nem super 24h -sou pobre).
 
A semana foi testemunha de que essa história de cidade insône é papo pra boi dormir.

A temakeria 24 horas estava fechada por falta de movimento. Queriam o quê? Uma rave movida a salmão e sakê? (nota: outro dia passei em uma temakeria fechada pra almoço!).

No dia seguinte, dei um pulo em um bar-balada-pub que tem fila até a meia-noite para entrar. Não eram nem duas da manhã e fui barrado; nem os zumbis estavam in tha house.

Resolvi subir a Augusta à pé para poupar o táxi e ver se descobria uma opção joinha na rua que sintetiza a louca noite paulistana. Fora coxinhas envelhecidas, micaretas de hepatite e homens de preto oferecendo bucetadas na cara, a rua já tinha minguado.

Caminhei pela Paulista (cinco policiais, três mendigos, um segurança e dois engravatados querendo chorar no ponto de ônibus) e tomei o táxi para casa enfrentar a insônia derrotado pela cidade que nunca dorme.

terça-feira, 5 de abril de 2011

enologia

Pouca coisa me irrita mais do que humanizar as atitudes dos cachorros 

Ora, se você considera que seu cão acha que é gente só porque ele gosta de chocolate, de carne de churrasco e de andar de carro, saiba que você não está diante de um animal que merece ter o cérebro guardado para posteriores estudos. O problema está no seu círculo social (a não ser que more em um berçário). Assim, o melhor a fazer é mudar de companhias, conhecer humanos que gostem de ver duas vezes o mesmo episódio de House, ler o jornal no domingo de manhã (e não fazer cocô nas páginas), levar o cachorro pra passear. Até uma homem entendido de vinhos --sim, um enólogo-- é mais inteligente que um cachorro que sabe diferenciar carne quente de carne fria --e faz questão da primeira.

Mas existe uma coisa que me irrita mais que humanizar um cachorro. É cachorrear um gato. 

ATENÇÃO AMIGOS: minhas gatinhas não acham que são cachorro só porque elas sabem o nome e vêm quando são chamadas, seguem a dona pela casa e sabem brincar de traz o rato. Aliás, elas compartilham poucas coisas com os caninos: quatro patas, rabos e pulgas. Acho que só.

É bom avisar, ou já viu né: primeiro a Chica vira um cachorro, depois vão falar que é uma cã que parece gente e, uma hora, para desespero em casa, ela acaba enóloga.

sexta-feira, 18 de março de 2011

fim de feira

Devido a evento fotográfico ontem, percebi que chegou a hora de ir ao cabeleleleleleiro. Quando eu começo a me cobrar compromissos tão extremos, sinto saudades dos 14. Era muito bom não ter que raspar a barba e cortar o cabelo uma ou duas vezes por ano. Mas envelhecer demanda responsabilidades.

Vou, responsavelmente, escrever "cortar o cabelo" em uma lista para atividades da semana que vem.

Hoje eu percebi como as listas podem ser úteis: fui fazer a tradicional feira de sexta (a vida adulta pode ser legal) e não pontuei nem mentalmente (tava com puta dor de cabeça) algumas coisas para comprar, tipo rúcula, cebola e laranja

Fiquei perdido entre as barracas, os gritos musicados dos feirantes, os legumes. Como não queria voltar de sacola vazia, deixei que o instinto animal comprasse por mim.

Estão todos convidados para, em casa, comer linguiça alheira, pastinhas de erva e uma sementes tipos nozes que eu já esqueci o nome. Se puder, traga um tomate.

quinta-feira, 10 de março de 2011

24h

não é tão empolgante quanto matar 124 terroristas e salvar os eua, mas nem foi chato passar 24 horas sem nem sequer encostar na fechadura do apê.

pedi pra lu trazer cigarros (o poder do celular), abri as janelas pra arejar (o poder das gatinhas), cozinhei, varri, lavei (o poder da vergonha).

essa foi a parte cheia de adrenalina. o sono também proporcionou algumas emoções.

mas também: assisti a terra em transe, a vicky cristina barcelona e a o casamento de romeu e julieta. pro tempo que passei com três filmes, cada qual com sua razão, triunfou o poder do saco.

sexta-feira, 4 de março de 2011

século 21

o mundo mudou muito desde que um simples escorregão na balada (p.ex. um vômito em lugar inconveniente) virou motivo para um tópico no orkut --lembram dele?

hoje, discussões acaloradas sobre a vida privada acontecem no facebook (sigo um casal que debate qual será o molho do macarrão --eles falam penne-- da janta); o tuiter é um espaço privilegiado para piadas internas; por gtalk, dá para conhecer alguém, bolar um lero e até transar. e tudo isso durante o expediente (um dado: 96% das pessoas que participam ativamente das redes sociais estão no trabalho).

veja o caso de um amigo meu. menino do interior, aposto que já gravou a canivete o nome de uma namoradinha de infância em uma árvore.

hoje, ele comemora ter sido eternizado por pelo menos um ou dois anos (um dia da terra na interne equivale a 234 anos de plutão, calculei por cima) no google street view subindo a augusta de mãos dadas com a esposa.

Olha aí o século 21 google street view, augusta e esposa na mesma frase. e é romântica --repare nas mãos dadas.

quarta-feira, 2 de março de 2011

atum

ficar em casa com as gatinhas nem é mal. elas chegam, dão uma rodadinha no meu pé, saem, dormem. 

o problema com as gatas é almoçar em paz plena. menu: atum em lata. o rango da solidão e da economia e, tá bom, da preguiça.

chica fica andando em círculos com o olhar perdido (parece cega) e galega não para de buzinar assim que o abridor tasca a primeira dentada. 

é desesperador, eu sou fraco e dei um sachê inteiro de gororoba felina (mais caro que meu atum) de uma vez pras duas se virarem longe do meu brunch. 

elas só não podem contar pra dona.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

faz a mala

Em dois ou três dias devo entrar em viagem mental.

Começo a ver água de coco nas palmeiras de casa, imagino minha pele descascando quando bate a primeira luz do dia e fico me perguntando o que esquecerei desta vez: apenas a sunga ou todas as cuecas? um pé de chinelo ou minha camiseta moda praia que só tenho coragem de usar uma vez por ano, justamente na praia?

mais me incomoda o que eu não levo por querer. Por exemplo: atravessei 30 km da Chapada Diamantina sem meu GPS de pulso, que serve justamente para marcar uma travessia de 30 km da Chapada Diamantina. mas na vibe hippie que eu tava, peguei minha camiseta moda praia e larguei o gadget burgo-urbano por são paulo.

a verdade é que eu deveria começar a fazer minha mala uma semana antes. o fato é que eu vou fazer ela 20 minutos antes de ter que sair de casa --e não tô exagerando.

por outro lado, já decidi minha lista de livros. ou ao menos de autores: eça de queirós, machado de assis e philip roth. também já fui na locadora pirate bay e peguei uma meia dúzia de filmes para rever ou ver pela primeira vez.

As reprises são filmes leves dos anos 1980 -- de volta para o futuro, ghostbusters, gremlins, talvez goonies-- que me deixam muito, muito alegrinho.

as novidades, eu aprendo com os blogueiros super legais.

também vou levar um caderninho, lápis pra desenhar e caneta pra escrever a mão. prometo não posta nada.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

sombra e otimismo

e eu, que a reconhecia pela sombra comprida que o sol de ipanema esparramava na areia, hoje, quando olho para o espelho, já não sei se me encontro.

que se foda o espelho. sombra não tem graça. importa o lado de cá: eu, ela, ipanema, que vai continuar lá, e o sol, que voltará várias e várias vezes. 

tá vendo? a voltinha sem guarda-chuva pela são paulo das tempestades tá me deixando mais otimista, sem narcisismo ou vultos.

domingo, 2 de janeiro de 2011

potente

a luciana está no polo sul. ou em buenos aires. não importa, tenho certeza de que ela sente menos minha falta do que eu dela.

lá tem bife gordo, vinho barato e argentinos pra se distrair.

por aqui, é domingo, eu vejo a chuva lá fora, toda hora as gatinhas vem andar em cima com as patas molhadas e as coisas mais interessantes a se fazer são: ver um filme ou jogar videogame. (não falo de punheta nesse blog, é contra a netiqueta).

escrever também é legal, mas não flui.

ler? tô com uma pá de livros começados, mas nenhum me fisgou. penso em voltar a uma opção certa, insoltável, tipo 1984, primo basílio, agosto, mas  apostar em releitura durante o bode é muito derrota pra mim.

jajá eu vou matar uns zumbis no videogame.

e ontem assisti a corra lola, corra. a lola sempre deixa as coisas mais quentinhas, tão quentinhas que Franka Potente vai ser  a primeira imagem desse blog.


assistir a lola funcionou, ficou quentinho, às vezes eu até deixei de ler as legendas pra ouvir a voz dela confundir minha cabeça em alemão.

mas...

sempre tem um mas. percebi porque eu queria tanto ver a lola.

eu vi, recentemente, scott pilgrim vs. the world. e a ramona flowers passou na frente da lola (que já tinha superado a mallory knox e eu não to disposto a rever).

 é meio chato perceber que as meninas do cinema que eu acho gracinha são muito, meio ou um pouco problemáticas.

Mas veja só: mallory, lola, ramona. se for medir pelo caráter, tá sempre melhor. meu medo, agora, é acabar gostando de uma chata.

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